Alimentação responsiva: entenda como pais afetam a relação das crianças com a comida

Neste modelo, os pais são coadjuvantes da relação das crianças com a comida e devem evitar se envolverem no processo de alimentação dos filhos

Comer é uma atividade para além da nutrição do corpo. É uma forma de conhecer o mundo, construir valores e se inserir em uma cultura. Embora seja considerado um ato vital para a sobrevivência humana, as crianças não nascem sabendo como se alimentar. Ao contrário, elas aprendem a medida em que vivem experiências – positivas ou negativas – com os alimentos. Neste contexto, surge o termo “alimentação responsiva”.

É na infância que os hábitos alimentares e as preferências por gostos e sabores se formam. E para que as crianças desenvolvam uma boa relação com a comida, são necessários alguns pré-requisitos, assim como um ambiente que promova experiências e modelos positivos para que o processo aconteça da melhor maneira.

A alimentação responsiva é um modelo sugerido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que indica autonomia da criança e uma parentalidade que respeita os sinais internos de fome e saciedade, além de reconhecer e valorizar o papel dos pais e cuidadores nesse processo de aprendizado que impacta ao longo da vida das crianças. Segundo a entidade, esses fatores contribuem, inclusive, para o controle da obesidade, que atinge 32% das meninas e 34,8% dos meninos brasileiros, segundo pesquisas de 2009.

A fonoaudióloga Patrícia Junqueira, fundadora e diretora do Instituto de Desenvolvimento Infantil, especialista em avaliação e reabilitação de bebês e crianças com dificuldades alimentares, explica que a alimentação responsiva, os cuidadores são responsáveis por estabelecer uma relação de conforto, confiança e competência com os alimentos e com o momento da refeição, baseado em uma conexão entre todos.

Um dos princípios da alimentação é oferecer a comida em um prato separado de outros componentes da família, assim é possível obsevrvar quanto alimento a criança está ingerindo. Além disso, outros pontos-chave caracterizam o modelo recomendado pela OMS, são eles:

● Alimentar a criança pequena diretamente de forma lenta e pacientemente e encorajá-la a comer, mas não forçá-la;
● Se houver muita recusa dos alimentos por parte da criança, experimentar diferentes combinações de alimentos, texturas, gostos e métodos de encorajamento;
● Evitar distrações durante as refeições como TV, telas, barulho, brincadeiras em excesso;
● Lembrar que a hora da alimentação deve ser um período de aprendizado e amor, por isso é importante falar com a criança durante a refeição, manter contato visual e estimular para que ela toque nos alimentos e leve-os à boca.

Por outro lado, os pais e/ou cuidadores não são os protagonistas da relação das crianças com a comida. Ao contrário disso, eles devem evitar ao máximo se envolverem no processo de alimentação dos filhos para evitar que realizem um “controle alimentar”, que está relacionado à restrição ou pressão para que a criança coma. Essas práticas não responsivas podem interromper a resposta da criança à percepção dos seus sinais internos de fome e saciedade e ainda levar à recusa e às dificuldades alimentares, além do descontrole do peso e transtornos alimentares.

“Nesse sentido, os pais precisam receber informações com orientações sobre como contribuir com o aprendizado alimentar de seus filhos, promovendo saúde e prevenindo doenças, entre elas a obesidade”, explica Dra. Patrícia.

Ela ainda complementa dizendo que a alimentação responsiva é considerada a melhor prática de alimentação pela Academia Americana de Pediatria e pela Organização Mundial da Saúde e tem como foco três necessidades fundamentais: a Autonomia, que está relacionada ao agir voluntário da criança diante de uma pressão; a Competência, ligada aos tipos de alimentos oferecidos e métodos de alimentação que devem estar alinhados com o nível de maturação e desenvolvimento das crianças; e Relacionamento, que consiste na própria relação entre pais e filhos, o cuidado, a conexão e a importância das refeições em família.

Serviço:
Dra. Patrícia Junqueira | Fonoaudióloga
Instituto de Desenvolvimento Infantil | @institutoinfantil
Rua Gomes de Carvalho, 260 – Vila Olímpia – São Paulo
(11) 3044-1131 ou (11) 99620-0114 (Whatsapp)
www.institutoinfantil.com.br

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