As semelhanças entre a Helena e Anne de Green Gable

Você já assistiu a série “Anne with an E”? Se não assistiu ainda, assista. Se você for pai de menina então… A produção é baseada no livro “Anne de Green Gable”, de Lucy Maud Montgomery, e conta a história de uma órfã de 13 anos adotada por um casal de irmãos da Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá, nos anos de 1908. Não vou contar mais sobre a história, apenas vou falar sobre a personagem, minha filha Helena, de sete anos, e a minha experiência assistindo essa série.

Quando a Helena tinha uns quatro anos, colocamos a pequena para fazer sessões de fonoaudiologia. Helena tinha dificuldade em pronunciar a letra R quando essa precisava vibrar a língua. Não demonstrava atraso, esse fonema é uma das últimas aquisições, mas não se perde nada fazendo sessões de fono. No final de uma determinada sessão, a fonoaudióloga me chama para entrar na sala às gargalhadas. Ela disse que esperava com ansiedade às sextas-feiras para as sessões com a Helena. Ela contou uma gracinha que a Helena fez e afirmou que nunca tinha visto uma criança tão imaginativa, tão lúdica, tão conversadeira, tão engraçada, uma criança com aquela energia.

Eu maratonei a série “Anne with an E” em um período muito complicado. Era auge da pandemia do novo coronavírus e eu fui acometido pela doença. Isolado em um quarto, com a Helena me emocionando ao fazer declarações de saudades pela janela, aceitei a insistente indicação de um grande amigo, também pai de menina, para assistir a série.

A Anne da série passa por diversas situações felizes e tristes provocadas por sua história, mas principalmente por suas características. Anne é extremamente imaginativa, lúdica, conversadeira, engraçada e uma criança com uma energia diferente. Acho que você já leu essa descrição neste texto, certo? Chorei muito assistindo a série. Sozinho, isolado, vendo possíveis dissabores futuros da Anne que tenho em casa.

Helena hoje tem sete anos. Além de fono, faz sessões com psicóloga também. Foi para psicóloga por uma aparente desatenção e desinteresse na escola. Ela começou com uma psicóloga nova no começo deste ano. Passado alguns meses, a profissional nos chamou para uma reunião e começou assim: “Vocês já assistiram a série “Anne with an E”? Aquela menina é a Helena todinha”. Caímos na risada.

O jeito peculiar de minha filha impõe desafios de como lidar com a ludicidade, a imaginação tão surpreendente, a comunicação tão tagarela e com o espírito tão diferente que há naquela criança. Aprendi muito com a série. Ela me fez segurar os impulsos de querer proteger a todo custo minha filha. O jeito dela encantará a muitos, mas provocará outros sentimentos em alguns. Ela terá de lidar com isso e nem sempre estarei por perto.

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