Um pedido emocionado de desculpas: “Helena, perdoe o papai”

Em casa, temos uma regra: se a Helena (7 anos) falou, é verdade. Essa regra foi estabelecida alicerçada em duas características muito marcantes e inatas da personalidade de nossa filha: a memória e a ética. Helena conquistou essa confiança ao longo do tempo. Em todas as oportunidades em que nós, como pais, ou alguém duvidou da memória ou dos princípios éticos da Helena, todos falharam miseravelmente contra o robusto muro que compõe tais características da pequena.

 

Não atento a esta regra, fui estudar com a Helena para a prova de ciências que ocorreria no dia seguinte. Quando peguei o caderno da matéria, uma verdadeira bagunça. Eram exercícios de português misturados com exercícios de matemática, depois voltava para ciências. Fiquei indignado com aquela desordem e fui tirar satisfação. Helena inicialmente afirmou que era daquele jeito mesmo, que não tinha erro algum. Aquilo só me deixou ainda mais nervoso…

 

Helena continuou insistindo que estava tudo certo, já meio nervosa e chorosa também. Falei que com certeza era um erro dela, que ela estava misturando as matérias, que ela não estava cuidando do material dela, etc, etc, etc… Falei que compramos e etiquetamos todo o material e era responsabilidade dela cuidar. Ela se defendeu afirmando que o caderno da disciplina é colocado em cima da mesa de cada aluno por um ajudante de sala do dia. Mesmo assim não dei ouvidos.

 

Não satisfeito, entrei em contato com a mãe de um amiguinho da Helena, um menininho que se destaca na sala, e solicitei que ela enviasse fotos do caderno dele de ciências para eu poder estudar com a Helena – e comparar os cadernos. A mãe do coleguinha enviou as fotos por WhatsApp…

 

“Minha amada filha, perdoe o seu pai. Não há justificativas para o papai desconfiar de você. Errei com você mais uma vez e esse nem foi o pior erro que cometi com você. Vou aprender com esse meu erro. Vou confiar ainda mais em você e espero não ter perdido a confiança que você tem em mim. Por favor, me perdoe”, falei com os olhos marejados e segurando aquelas finas e mornas mãos compridas.

 

“Papai, está tudo bem. Eu estava quase achando que eu estava errada mesmo. Mas está tudo bem. Eu te perdoo. Não fique assim”, respondeu a Helena enxugando as lágrimas.

 

A escola trabalha de maneira interdisciplinar e transversal. Dessa forma, os cadernos, mesmo sendo de matérias específicas, trazem exercícios com temas dessas matérias, mas que são aproveitados para a verificação de outras habilidades e competências.

 

Amar é também confiar. Mas como confiar cegamente em uma criança? Conhecendo-a de verdade. Olhando para ela. Observando-a ativamente. Amamos aquilo que conhecemos. Conhecer verdadeiramente é olhar nos olhos, é brincar junto, é conversar por horas e também pedir perdão.

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