Governo do DF sanciona lei que garante atenção a mães atípicas

A norma estabelece diretrizes para que seja oferecida orientação psicossocial e apoio para mães de crianças com deficiências, síndromes e disfunções

O Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sancionou uma lei que garante o acesso de mães de crianças com deficiências, síndromes e disfunções a um programa de atenção e orientação nomeado “Cuidando de Quem Cuida”. A Lei nº 7.310/2023, proposta pelo deputado Eduardo Pedrosa (União-DF), foi publicada no Diário Oficial do DF na última quarta-feira (26/7).

A norma estabelece diretrizes para que seja oferecida orientação psicossocial e apoio, por meio de serviços em áreas variadas, para o fortalecimento e a valorização das “mães atípicas” – considerando as mulheres responsáveis por crianças que necessitam de cuidados específicos como autistas, crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), doenças raras e dislexia, dentre outras.

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As doenças raras, como o próprio nome indica, são aquelas que atingem uma pequena parcela da população. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência é inferior a 65 pessoas, num cenário de 100 mil habitantes.

No Distrito Federal, a estimativa é que cerca de 5% da população tenha alguma doença rara. O Hospital de Apoio de Brasília (HAB) é referência para o tratamento e atende recém-nascidos que apresentam alterações no teste do pezinho e pacientes de todas as idades. Os médicos das unidades básicas de saúde (UBS) são os responsáveis por encaminhar as pessoas diagnosticadas para essas unidades hospitalares.

Cuidando de quem cuida

A referência técnica distrital em doenças raras, Maria Tereza Cardoso, afirma que a parentalidade diante dessas doenças com necessidades especiais é um assunto ainda pouco abordado e enfatizado no Brasil. “Devemos mudar isso. Não apenas o paciente, mas a família também precisa ser um dos focos da abordagem terapêutica. O nascimento de um filho com doença rara modifica todo o contexto emocional e físico do ambiente familiar”, explica.

Para Maria Tereza Cardoso, é muito importante que as mães atípicas tenham essa atenção especial. “Muitas mães deixam de trabalhar para cuidar dos filhos ou são abandonadas pelo parceiro. São casos recorrentes e é importante cuidar de quem cuida. Ela vai se sentir melhor e ter estrutura para cuidar do outro”, conta a profissional.

Hevellyn Teixeira cuida da filha de apenas 8 meses de idade, diagnosticada com galactosemia, e contou com o apoio dos profissionais do HAB para auxiliar no tratamento | Foto: Divulgação/Agência Saúde-DF
Crédito: Divulgação/Agência Saúde-DF

Hevellyn Teixeira, 17 anos, cuida da filha de apenas 8 meses de idade, diagnosticada com galactosemia – uma doença metabólica caracterizada pela dificuldade de digerir alimentos com galactose, um tipo de açúcar encontrado, principalmente, no leite. Para a mãe, a descoberta da doença foi uma surpresa, mas ela contou com o apoio dos profissionais do HAB para auxiliar no tratamento.

“Descobrimos a doença da Sophia somente há dois meses. Ela estava apresentando um atraso no desenvolvimento e perda de peso. Graças a Deus e à equipe do Hospital de Apoio de Brasília, que ajudou no diagnóstico, agora a minha bebê já está apresentando melhoras. Estou mais aliviada”, desabafa.

Maria Tereza Cardoso explica que os principais sintomas da galactosemia são vômitos, icterícia, diarreia e atraso no desenvolvimento. “A falta de tratamento nesse caso poderia ter acarretado insuficiência hepática, catarata e vários outros problemas”, exemplifica.

Teste do pezinho

O teste do pezinho é realizado em todas as maternidades públicas e nas UBSs do Distrito Federal. Os exames são encaminhados para o serviço de referência em triagem neonatal, no Hospital de Apoio de Brasília (HAB). Cada teste realiza nove tipos de exames e pode detectar até 60 doenças.

*Com informações da Secretaria de Saúde e da Agência Brasília

 

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