“Nenhuma criança deixa de comer porque quer”, diz especialista em seletividade alimentar

Para a nutricionista infantil, comer vai além do ato de mastigar e engolir: “É conforto, competência, conexão e confiança”

No início da vida, é comum as crianças rejeitarem alguns alimentos até se familiarizarem com os sabores, cores e texturas. No entanto, alguns sinais de alerta podem indicar uma seletividade ou dificuldade alimentar. Como consequência, podem surgir problemas nutricionais e limitações das atividades sociais das crianças.

A “estranheza” aos alimentos costuma diminuir com o tempo. No entanto, ela pode estar relacionada a problemas alimentares. Pesquisas realizadas pelo Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares (CENDA) mostram que de 3 a 5 mães em cada 10 dizem que o filho tem ou teve problemas importantes de alimentação. Dentre os mais citados estão a seletividade e dificuldade alimentar.

Por isso, a nutricionista infantil Raquel Coimbra Bulhões, especialista em nutrição clínica pediátrica, alerta pais e cuidadores a ficarem atentos aos “sinais de perigo” e orienta sobre quando buscar ajuda especializada.

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De acordo com a profissional, é essencial compreender as razões e causas que afastam as crianças dos alimentos, o que pode incluir desde questões sensoriais, comportamentais, motoras orais, até causas orgânicas. “Nenhuma criança deixa de comer porque não quer, mas porque algo a impede de comer”, afirma Raquel.

Segundo Coimbra, se a hora da refeição se tornar um momento de “luta” ou “fuga”, os pais devem ficar alertas e buscarem orientação de um nutricionista infantil. “A criança não pode simplesmente ser taxada de ‘difícil para se alimentarr’. A gente precisa acolher essa criança, acolher a família, entender o contexto, identificar a causa e tratar”, aponta Raquel.

A profissional lembra ainda que, ao contrário do que a maioria das pessoas imaginam, comer não é uma habilidade inata. “É um ato aprendido. E nós, como adultos, precisamos ensinar e proporcionar um ambiente seguro para as crianças explorarem novos alimentos. Trazer conforto, confiança, conexão e competência para o momento da refeição é essencial para construir uma relação saudável com a comida e promover hábitos alimentares positivos que perdurem por toda a vida”, afirma a nutricionista.

Para Raquel, que também é especialista em introdução alimentar e nutrição no Transtorno do Espectro Autista (TEA), comer vai além do ato de mastigar e engolir: “É conforto, competência, conexão e confiança. Tudo precisa estar interligado para que a alimentação flua e aconteça. E, assim, a gente consiga fazer uma refeição prazerosa e de qualidade”.

Seletividade x Dificuldade Alimentar

A seletividade e dificuldade alimentar não passam com o tempo. Segundo Raquel Coimbra, esse é um trabalho feito passo a passo, com a colaboração da família, da escola e de outros profissionais para que o resultado seja efetivo. A depender das dificuldades de cada criança, pode ser necessário o apoio de terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e até psicólogo.

Por fim, a nutricionista explica a diferença entre seletividade alimentar e dificuldade alimentar. Segundo Raquel, no quadro de seletividade a criança, na hora de comer, é relutante em aceitar alguns tipos de alimentos, seja por sabor, textura, odor ou aparência. Mas no geral, elas toleram todos os grupos alimentares que incluem os carboidratos, as frutas, verduras e legumes, proteínas tanto de origem animal como vegetal. Por exemplo, não come todos os tipos de proteína animal (carne, frango e peixe), mas aceita um tipo pelo menos.

Por outro lado, a criança com dificuldade alimentar tem menos facilidade em aceitar alimentos de todos os grupos e pode chegar a desprezar um ou mais grupos alimentares inteiros. Seguindo o mesmo exemplo acima, a criança nunca come nenhum tipo de proteína animal, independente do tipo de preparo e da situação.

Em ambos os casos, os alimentos devem ser apresentados diversas vezes às crianças: entre 20 e 25 vezes no caso da seletividade e mais de 25 no caso da dificuldade. Também é importante apresentar a comida de diferentes formas e texturas.

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